terça-feira, 7 de julho de 2009

Bike-boys contra Sugismundo



Prezado Fernando,


Encaminhei ao Ministério do Meio Ambiente um pedido de socorro que atenderá a todos os bikeboys do Brasil (ciclistas mensageiros). Para a proposta apresentada não há argumentos que possam ser usados para negativas. Entretanto, se não houver um apelo feito através da população e do acompanhamento da imprensa, o projeto ficará mofando em uma pasta de documentos de um pc.

Segue abaixo o pedido e a resposta do Ministro.

Espero que você se interesse por este assunto uma vez que não há qualquer estudo da quantidade de CO2 que é lançado na atmosfera diariamente pelos motoqueiros a serviços públicos. Quanto o governo paga para poluir? E quanto custa essa poluição? - uma vez que grande parte destas coleta e entregas poderiam serem executadas por veículos não poluentes, como, por exemplo, as bicicletas, não faz sentido o não-uso desses veículos.

Se a imprensa não "cutucar" continuaremos involuntariamente colaborando para poluir através de pesados impostos que pagamos.

Se você puder levar esse assunto para uma lista de discussão ou publicar algo será de grande valia.

Um forte abraço,
Kais [Ismail]

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Proposta ao Ministério do Meio Ambiente

A Bike-Entrega surgiu, em 21 de julho de 2008, com uma proposta revolucionária: mudar a cultura na área de transporte e logística dos porto-alegrenses. A partir da convicção de que a permanência do estilo de vida atual é inviável para a preservação do meio ambiente, nasceu o projeto de um serviço de tele-entregas na Capital gaúcha realizado por ciclistas. No lugar das tradicionais e poluidoras motos, entram as bicicletas. Ao oferecer uma alternativa ao trânsito, caótico em qualquer metrópole brasileira, a iniciativa traz benefícios para todo o ecossistema da região, melhorando a qualidade do ar (reduzindo a poluição ambiental e sonora geradas pelos tradicionais meios de entrega) e oferecendo uma opção mais saudável de locomoção às pessoas.

Contudo, qualquer modificação cultural sofre resistência em seu começo, e é preciso ter persistência e convicção no que se faz e deseja para se conquistar um futuro melhor. Como todo projeto inovador, a Bike-Entrega vem sofrendo com as dificuldades impostas a todos pequenos e médios empreendedores do Brasil. Apesar do crescimento constante, os custos da empresa ainda são maiores do que o valor que ela consegue arrecadar, devido ao pouco volume de trabalho. Sem capital de giro, ficamos impossibilitados até mesmo de fazer uma simples panfletagem ou publicidade do nosso serviço diferenciado. Além disso, o acesso ao sistema financeiro é difícil, principalmente para aqueles que não possuem bens como garantia, mas que têm em mãos projetos tão necessários à sociedade. Acrescenta-se a isso a inexistência de linhas de crédito para veículos não poluentes, como bicicletas e motocicletas elétricas, o que inviabiliza que novas ideias social e ambientalmente corretas surjam e ganhem força junto à população. Não há também um seguro que proteja o ciclista e a sua bicicleta, muitas vezes o único meio de deslocamento desse cidadão e o seu ganha-pão. Por todas essas razões, solicitar o apoio dos órgãos públicos foi a solução encontrada pela empresa para manter o seu projeto e filosofia. Pois, apenas dessa forma – na continuidade em busca da consolidação – é possível promover uma verdadeira mudança de hábitos.

Apesar de contar com uma equipe enxuta, são apenas cinco bike-boys trabalhando com apenas 25% de sua capacidade (atualmente são feitas, em média, 25 entregas por dia, mas a capacidade de atendimento é de 100/dia), os resultados da iniciativa são significativos. Em apenas dez meses de operação, os atletas da empresa já percorreram 30 mil quilômetros para atender aos mais de dois mil chamados recebidos. Ao apostar nesse tipo de veículo, mais de 3,2 mil quilos de CO2 deixaram de ser lançados na atmosfera. Dados do Instituo Akatu demonstram que uma pessoa que faz um trajeto mensal de 140 quilômetros de bicicleta evita a emissão de 15 kg de CO2. Ao reduzir a emissão de gases que poluem a atmosfera, a medida traz ainda vantagens para a saúde, melhorando a qualidade do ar respirado na cidade. Recente estudo do Laboratório de Poluição da USP, realizado em parceria com seis universidades federais, revelou que são gastos R$14,00 por segundo para tratar as sequelas respiratórias e cardiovasculares de pessoas vítimas do excesso de partícula fina (poluente da fumaça do óleo diesel). O valor é gasto por unidades de saúde públicas e privadas das seis regiões metropolitanas averiguadas, entre elas Porto Alegre.

Agora, imagine o impacto dessa inovação se ela contasse com o incentivo público para ampliar a sua abrangência? Além de preservar o meio ambiente para as gerações futuras, o governo estaria economizando recursos gastos com a recuperação da saúde da população. Verbas essas que poderiam ser destinadas para a prevenção e para a geração de renda. Neste aspecto, inclusive, a Bike-Entrega tem potencial para crescer. Contamos hoje com um cadastro com 93 ciclistas aptos para trabalhar conosco. Se os atuais cinco atletas, que fazem a incrível marca de 100 quilômetros por dia, 500 quilômetros por semana e 2,2 mil quilômetros por mês, têm cada um o mérito de evitar que 235,7 quilos de CO2 sejam lançados na atmosfera em troca de um salário honesto, então por que não ampliar essas melhorias a muitos outros?

Se os governos federal, estadual e municipal oferecessem apenas 1% da demanda de suas entregas em Porto Alegre aos bike-boys, esses 93 atletas logo deixariam de constar das estatísticas do desemprego, movimentariam a economia e ajudariam a melhorar o ar que respiramos. Tudo isso enquanto sustentam suas famílias de forma digna. Com o apoio e exemplo vindos das esferas públicas, seria muito mais fácil difundir a proposta da tele-entrega feita através de bicicletas às instituições privadas. Todo esse movimento desencadearia na abertura de novas empresas de entregas realizadas com veículos não poluentes e na formação, treinamento e contratação de mais profissionais.

Por enquanto somos a única empresa do Rio Grande do Sul especializada em entregas rápidas sem produzir poluição. Somos os únicos empreendedores que oferecem todo o equipamento de segurança necessário aos seus ciclistas. Estamos em dia com todas as obrigações fiscais e trabalhistas, todos os funcionários têm os seus direitos garantidos com carteiras assinadas, e, ainda assim, estamos a um passo de fechar as portas por não ter capital de giro e tampouco conseguir negociar com as instituições financeiras.

Escrevo essa carta ao Ministério do Meio Ambiente por acreditar que é este o órgão que possa atender – e compreender a importância da nossa iniciativa – o apelo por socorro. Se a Bike-Entrega não obtiver um apoio imediato, seja ele com o incremento no volume de trabalho ou até mesmo com o aval para um empréstimo bancário ou patrocínio, nosso destino será o mesmo de tantos outros empreendimentos brasileiros que foram obrigados a fechar suas portas antes de completar um ano de atividade. Além de estar perdendo as economias reunidas durante toda uma vida, o fim da Bike-Entrega representa mais seis pessoas desempregadas, sem falar em mais uma derrota para a causa ambiental no País.

A solicitação da empresa, assim como de seus funcionários, é que os órgãos públicos repassem 1% de suas entregas aos profissionais das bicicletas, que são reconhecidos pelo Ministério do Trabalho como ciclistas mensageiros. Através de suas agências e representações em Porto Alegre , como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Polícia Federal, Ibama, entre tantas outras, a União pode dar início a um movimento que mudará a forma como os cidadãos enxergam o trânsito e as suas implicações para o meio ambiente. Com essa pequena porcentagem, quase irrisória para as instituições públicas, o retorno virá em curto prazo, com a diminuição da poluição sonora e ambiental. O governo e a população só têm a ganhar!

http://www.crbio03.gov.br/noticias/index.php?id=4195&idcategoria=6

http://www.sjds.rs.gov.br/portal/index.php?menu=reportagem_viz&cod_noticia=3672

http://jcrs.uol.com.br/noticias.aspx?pCodigoNoticia=12797&pCodigoArea=33

http://www.iclei.org/index.php?id=9727

Atenciosamente,

Kais Ismail, diretor da Bike-Entrega
http://www.bike-entrega.com.br/

Resposta do Ministério

"Prezado Senhor Kais,

Inicialmente, pedimos desculpas pela demora em responder sua mensagem, cuja razão é a quantidade expressiva de e-mails diários recebidos pelo senhor Ministro. Ele tomou conhecimento de sua mensagem e felicita sua iniciativa. Quanto à sua sugestão para que os órgãos públicos repassem 1% de suas entregas aos profissionais da bicicleta, encaminhamos sua mensagem à Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério que trata do assunto para que analise a proposta.
Atenciosamente,

-- Chiara Laboissiere Paes Barreto"
Analista Ambiental
Chefia de Gabinete do Ministro
Ministério do Meio Ambiente
Tel.: 55 61 3317-1056





Leia no Blog da Petrobras, postado em 8 de julho de 2009 / 10:38:

http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?p=2243

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PressAA

Um comentário:

kais disse...

rsrsss tu é d+, Fernando!!



Vc sabe q desde o princípio sempre quis ter mulheres na equipe e cheguei a colocar uma logo q abrimos. Entretanto, a única bike-girl da equipe corria sérios riscos de se acidentar quando estava na tpm. Caia com facilidade e ficava muito sensível ao ponto que desatava a chorar quando qualquer motorista a xingava no trânsito sem razão. Mediante a esse fato me dei conta q se ela engravidasse, até o momento dela mesmo descobrir, poderia perder o baby caso se acindentá-se. por menor q fosse o acidente. Não estamos com as portas fechadas às mulheres ciclistas, mas até o presente momento foram poucas as que se candidataram a preencher uma vaga.

Obrigado novamente por mais esse apoio.

Um forte abraço

Kais Ismail